24 February 2007

incongruências no mundo dos grandes

Existirá alguém neste país que nunca tenha ouvido ou lido que uma certa empresa se preocupa muito com o ambiente, apoiando na reflorestação e protecção de espécies etc, etc, etc? É a chamada Responsabilidade Social, que todas as empresas agora apostam, tentando passar uma imagem de si como preocupadas com o respeito e defesa do ambiente. E tudo isto para nós as acharmos empenhadas na procura de uma vida saudável.
Porém, facilmente se percebe que esta imagem que tentam transmitir é falsa. Uma completa hipocrisia!!
Agora que ando à procura de emprego, um dos requisitos que aparece em grande parte dos anúncios para o candidato ser aceite é “ter carta de condução e carro”. Olhem que bonito!! Então vamos lá ver, as empresas, por um lado, querem-se associar a esta fantástica moda, conotando a sua imagem ao respeito ambiental... e depois obrigam que os seus empregados tenham carro? Isso será para quê? Para protegerem o ambiente fomentando o trânsito nas cidades? Para protegerem o ambiente fomentando a poluição?... Ou será, por outro lado, uma forma de manterem os seus queridos trabalhadores azucrinados na perseguição de objectivos de produção (os quais obviamente darão mais lucros às empresas) para poderem pagar as prestações do pópó? Com certeza não poderá ser em desfavor das próprias...
Eu cá acho que as empresas prestavam um melhor serviço ao ambiente se apostassem e contribuíssem para o desenvolvimento e melhoria dos transportes não poluentes nas cidades. Só naquela... até era uma forma de evitar que os trabalhadores chegassem stressados ao emprego depois de terem passado a manhã a respirar o tubo de escape do condutor vizinho e ouvido os blocos de músicas que sequencialmente se repetem nas rádios. É que isso é que depois cria o mau ambiente... a começar pelo trabalho!

23 February 2007

conhecê-lo

Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto tinha consciência que o seu nome era comprido, porém isso não o impedia de o dizer a todos os que conhecia pela primeira vez:
- Muito prazer senhor Carlos Costa, eu chamo-me Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto. – respondia sem pestanejar e de uma única assentada sem perder o fôlego.
Este comportamento fez com que todos os conhecidos de Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto achassem que este tinha a mania das grandezas! No entanto, Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto não se ficava por aqui a dar cobro a esta teoria. Quando lhe era perguntada a idade, ao invés de responder 32 anos Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto dizia:
- Eu não tenho 1, nem 2, nem 3, nem 4, nem 5, nem 6, nem 7, nem 8, nem 9, nem 10, nem 11, nem 12, nem 13, nem 14, nem 15, nem 16, nem 17, nem 18, nem 19, nem 20, nem 21, nem 22, nem 23, nem 24, nem 25, nem 26, nem 27, nem 28, nem 29, nem 30, nem 31, mas 32 anos! – afirmava orgulhoso com uma respiração suspensa e a sua voz a soltar-se cada vez mais fina.
E assim seguiam os dias de Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto. Escusado será confirmar que os seus conhecidos se afastavam dele, ignorando-o fria e estranhamente.
Um dia Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto apercebeu-se que tinha um dom! O seu dom era a capacidade de fazer sapateado quando andava pela rua. Então, enquanto deambulava pelas ruas, ia saltitando à procura dos tons que lhe permitissem sapatear e fazer uma música.
Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto andava tão alegre que se esqueceu da censura a que era votado pelos seus conhecidos.
Até que um dia, um polícia, incomodado com tal comportamento fora do normal, atravessou-se na marcha de Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto, obrigando-o a identificar-se.
Foram os 15 minutos de fama de Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto.
Encheu o peito de ar e começou por dizer que se chamava Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto. Parou e respirou novamente, enchendo o peito ainda com mais ar do que anteriormente, e disse:
- Eu não tenho 1, nem 2, nem 3, nem 4, nem 5, nem 6, nem 7, nem 8, nem 9, nem 10, nem 11, nem 12, nem 13, nem 14, nem 15, nem 16, nem 17, nem 18, nem 19, nem 20, nem 21, nem 22, nem 23, nem 24, nem 25, nem 26, nem 27, nem 28, nem 29, nem 30, nem 31, mas 32 anos! – concluiu num suspiro único, já com uma expressão roxa do esforço.
Atónito, o polícia levou Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto para a cadeia, acusando-o de desrespeito pela autoridade.
Pelo caminho, Luís Augusto Prata Coelho Caçador Herbívoro Pança Fumado dos Santos e Serra Curto fez o melhor sapateado que alguma vez tinha feito nos seus não 1, nem 2, nem 3, nem 4, nem 5, nem 6, nem 7, nem 8, nem 9, nem 10, nem 11, nem 12, nem 13, nem 14, nem 15, nem 16, nem 17, nem 18, nem 19, nem 20, nem 21, nem 22, nem 23, nem 24, nem 25, nem 26, nem 27, nem 28, nem 29, nem 30, nem 31, mas 32 anos de vida!